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Endividamento e Inadimplência em Santa Catarina apresentam estabilização em maio, aponta PEIC
15/06/2026O cenário do endividamento e da inadimplência das famílias em Santa Catarina mostrou sinais de estabilização no mês de maio de 2026. É o que apontam os dados mais recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisados pela plataforma Sfera. O estado continua apresentando índices mais favoráveis do que a média nacional, refletindo uma dinâmica econômica regional resiliente, embora ainda exija atenção do comércio local.
Santa Catarina vs. Brasil: Um panorama comparativo
De forma geral, o total de famílias catarinenses que possuem algum tipo de dívida chegou a 76,1% em maio, um número inferior à média do Brasil, que registrou 81,6%.
A diferença positiva para o estado também se reflete nos índices de inadimplência (contas em atraso) e na capacidade de pagamento:
- Inadimplentes: Enquanto no Brasil 29,9% das famílias possuem contas em atraso, em Santa Catarina esse índice é de 27,4%.
- Sem condições de pagar: O percentual de famílias que declaram não ter condições de quitar suas dívidas em atraso é de 10,3% no estado, contra 12,3% no cenário nacional.
O Impacto por Faixa de Renda
A pesquisa evidencia que o endividamento e a inadimplência afetam de maneira muito distinta as famílias de acordo com o seu patamar de renda (calculado em Salários Mínimos - SM):
Famílias com renda de até 10 Salários Mínimos
Este grupo concentra os maiores desafios financeiros. Em maio, 81,1% dessas famílias declararam estar endividadas. O índice de inadimplência alcançou 33,8%, e 12,8% afirmaram que não terão condições de pagar as contas em atraso.
Famílias com renda acima de 10 Salários Mínimos
Para a faixa de maior renda, o cenário é consideravelmente mais controlado. O endividamento atinge 58,7%, mas a inadimplência cai drasticamente para 9,7%. Apenas 3,6% dessas famílias relatam não ter condições de pagar o que devem.
Cartão de Crédito e Tempo de Comprometimento
O principal vilão do orçamento familiar continua sendo o cartão de crédito, presente em 85,7% dos casos de endividamento total no estado (chegando a 87,7% entre as famílias de menor renda). Em seguida, aparecem os carnês de lojas (26,7%) e o crédito pessoal (19,4%).
Além disso, o tempo médio que o consumidor catarinense passa com o pagamento em atraso subiu ligeiramente, atingindo a marca de 61,6 dias em maio. Quanto ao comprometimento da renda, a parcela média do salário comprometida com as parcelas de dívidas alcançou 30,4% — o maior patamar registrado nos últimos 12 meses. O tempo médio de comprometimento com essas parcelas gira em torno de 8,1 meses.
A Visão do Setor Lojista
Para o comércio de bens, serviços e turismo, entender o comportamento financeiro das famílias é fundamental para calibrar as estratégias de vendas, concessão de crédito e campanhas de renegociação.
A presidente do Sindilojas, Núbia Cristofolini Kuckler, avalia os dados destacando a maturidade do mercado catarinense, mas reforça a necessidade de cautela:
"Os números mostram que Santa Catarina consegue manter uma saúde financeira residencial acima da média do país, o que garante a sustentabilidade do nosso comércio local. No entanto, o fato de o consumidor comprometer mais de 30% da sua renda e passar mais de 60 dias para regularizar as contas em atraso liga um sinal de alerta. O papel do Sindilojas é apoiar os comerciantes na busca por ferramentas seguras de crédito e incentivar ações que facilitem a renegociação, garantindo que o poder de compra retorne ao mercado de forma saudável."

